quarta-feira, 18 de junho de 2014

O que é Sistema de Zonas?

O sistema de Zonas



Esse método fotográfico foi desenvolvido pelo fotógrafo Ansel Adams (1902 – 1984), nascido em São Francisco na Califórnia. No final dos anos 30, com parceria de Fred Archer, eles criaram o sistema de zonas.
A ideia era simples e inovadora de criar um nome adequado para a luz. Adams era músico e queria muito demonstrar na fotografia os tons mais cinzas que lembravam a ele notas musicais, foi assim que ele deu a origem a sua metodologia.
Na natureza há, em princípio, 10 tons diferentes que vai do preto ao branco, cada tom tem diferentes amplitudes que podem ser controladas pela utilização do método de sistemas de zonas.
O processo consiste em compreender as características dos matérias fotográficos e a manipulação com propósito de se produzir verossimilhança.
O método foi criado para facilitar o registro da imagem metodicamente correta, e ajuda o fotógrafo a fazer a interpretação da luz.
Para isso deve-se conhecer cada característica do processo, para poder manipular o resultado final, assim podendo obter efeitos diferentes que forneça a satisfação de uma opção estética.
Primeiro é preciso ter a “visualização da cena”: O fotógrafo exercita o seu trabalho intelectual. Ele raciocina, sente e produz, por meio da sua capacidade criativa, padrão cultural e experiência de vida, todos os elementos do ato de criação de uma fotografia. É uma habilidade de prever a imagem final em branco e preto ou em cores, antes de fotografar.
A definição de zonas é estabelecida de forma sistemática, levando em consideração que o filme produz uma infinidade de tons de forma linear. O espectro tonal do filme é dividido em dez zona, para cada uma delas é atribuída uma definição de como ela deveria ser representada na ampliação final.

Zona Tons Observações:
0/- 5.0 – Preto máximo do papel fotográfico. Preto puro.
I /-4.0 –  Tom percebido com o preto, levemente diferenciado do –3.0.
II/- 3.0 – Cinza escuro, limite entre o visível e invisível de texturas.
III/- 2.0 – Primeiro tom de cinza escuro.
IV /-1.0 Cinza Intermediário.
V 0 Cinza médio padrão. Índice de reflexão 18%.
VI/ +1.0 Cinza claro.
VII/ +2.0 Tom de cinza mais claro, com percepção definida das texturas.
VIII/ +3.0 Último tom de cinza claro, onde as texturas não são mais reconhecidas.
IX/ +4.0 Branco máximo do papel fotográfico. Branco puro.

Ainda pode ser feita a subdivisão desta escala em 0.5 ou até 0.3 pontos, limite de percepção dos filmes profissionais ou das câmeras digitais DSLR.
Para melhor compreensão temos que ter como base os valores das zonas e do número das escalas do fotômetro
Zonas:
0     I  II  III  IV  V  VI  VII  VIII  XIX  X
Escala do fotômetro:
    4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14

Pois alguns fotômetros iniciam no 0 mas não utilizam os valores numéricos.
Conceito original de Adams:
Inicie, fotografando uma placa de isopor branca, com a luz difusa, sem sombras.
Fotometre, procurando sempre manter o fotômetro em 5.6 e variando a velocidade.
Exponha corretamente, seguindo fielmente a leitura do fotômetro. Obteremos assim o valor “0”, zona V (cinza médio 18%).
A partir disto vamos abrir +1 ponto (f4). Assim, obteremos o cinza claro Zona VI.
Agora vamos abrir mais um ponto (f2.8), obtendo +2.0, l ao cinza mais claro, Zona VII.
Abrindo mais um ponto (f2), teremos +3.0, ou seja, último tom de cinza, Zona VIII.
Por fim, abrindo o último ponto (f1.4), + 4.0, atingiremos o branco puro, sem textura, Zona XIX.
Partindo da leitura normal do fotômetro f/5.6 (cinza médio), proceda do modo inverso, fechando de um em um ponto até atingir – 5 ou zona 0 e pronto!
Assim pode se ter a escala real dos tons que o filme negativo profissional consegue registrar.
Sempre que o filme for exposto com fotometria em 0, teremos o padrão cinza médio, também utilizado pelos fabricantes para seus respectivos fotômetros e a vasta gama de sensibilidade dos filmes.
Para que o teste recém descrito dê certo é considerada a velocidade fixa e a revelação normal.

O teste é feito para compreensão de que o negativo reproduz vários tons.
Após o primeiro passo, deve-se ter o controle do tempo, temperatura e agitação do revelador, pois ele é a segunda variável do processo.
Na revelação há varias ferramentas para obter definição das zonas claras. Cada aumento de densidade do negativo, é responsável pelo aumento de um tom claro, que equivale o de 1/3 de zona na região de zonas escuras.

Isso representa um filme com revelação normal de 10 min., se revelado por 12 min., com uma área esposta em cinza médio, (0) Zona V, provavelmente aparecerá com +1 Zona VI enquanto nas áreas escuras a variação será desprezível.
Não são só esses fatores que influenciam a determinação de zonas, mas com a prática isso é melhor compreendido. Porém com esses dois fatores já apresentados é possívem compreender a expressão declarada por Minor White, logo após aprender com o próprio Ansel Adams como utilizar o método.

“Expor para as baixas luzes e revelar para as altas luzes”.

Com sistema de zonas não se deve registrar o tema fotografado com a “máxima fidelidade possível”. É possível a manipulação de qualquer área com qualquer tonalidade, dependendo da interpretação que deseja.
Para que isto funcione é preciso manipular o filme por meio de sub-revelação ou super-revelação. Quando foi descrito o teste, foi determinado uma revelação dormal (0).
A partir do tempo foi determinado os outros tempos de revelação para poder trocar de uma zona clara para mais clara (+1) ou para a mais cinza (-1).

Um clássico exemplo é a técnica de Pusshing, onde se utiliza filme de ISO 400 e “puxamos” para ISO 800, assim efetuando a super-revelação. É notável a perda de escala de cinzas. Das 10 tonalidades originais, pode-se cair para 8, ou 5 tons. Caso contrário é reduzida a sensibilidade para 200, compensando na revelação podendo atingir 12 a 14 tons distintos.


Estes tempos devem ser determinados a sub ou super revelação, com tempos médios de 25%, dependendo do tipo e atividade do revelador.

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